Como ficará os trabalhadores da microrregião do Alto Piranhas com o fim do corte de cana manual em São Paulo? Esses trabalhadores tinham em seu orçamento anual um valor financeiro que ajudava a manter as suas famílias que ficavam órfã de seus chefes durante oito ou dex meses.

A partir de janeiro, todas as usinas terão que adotar colheita mecanizada nos canaviais paulistas. 'Terra, num futuro próximo, não vai ter mais a função de empregar', diz presidente de sindicato rural em Guariba (SP).

A história do trabalhador rural expõe um lado dramático da modernização do campo e do fim da queima da cana a partir de janeiro em São Paulo, maior estado produtor do país. As tecnologias e as novas regulamentações melhoram a eficácia do plantio e reduzem os impactos ambientais, mas a falta de qualificação profissional deu margem para um problema social: os empregados demitidos do campo que não conseguiram migrar para outros setores acabaram desempregados.

"A tecnologia vai avançando e vai desempregando. Infelizmente a terra, num futuro próximo, não vai ter mais a função de empregar as pessoas, porque a mecanização não vai precisar tanto do ser humano pra ser operada. Infelizmente estamos passando por esse momento e a tendência é piorar a situação", afirma o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Guariba, Wilson Rodrigues da Silva.

O município de 35,4 mil habitantes na região de Ribeirão Preto (SP), de acordo com ele, já chegou a atrair 9,5 mil pessoas para o corte da cana na safra. Hoje os empregados não passam de 150. " É pouca gente na cana, quase não tem ninguém, cada vez está ficando pior", diz o trabalhador rural José João Macedo, que após 35 anos de lavoura conta com a aposentadoria antes de enfrentar o drama do desemprego.
Fim da queima da cana
De acordo com o protocolo agroambiental firmado entre usinas e secretarias estaduais de Meio Ambiente Agricultura, a queima da plana da cana está proibida nas áreas planas de São Paulo desde a safra 2014/2015. Para os demais tipos de terreno, com inclinações, esse prazo acaba no início de 2018.

Em termos ambientais, a medida representou um avanço no período de adequação, com uma redução de 65 milhões de toneladas de poluentes emitidos, além de uma ampliação da produtividade. A mecanização representa uma colheita média de 40 toneladas de cana por hora em São Paulo, o equivalente ao trabalho de dez homens.
 
Segundo a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), durante a fase de adequação foram registradas 400 mil requalificações nos setores agrícola e industrial, além das normas reguladoras. Mas quem não conseguiu se instruir ou migrar para outros setores, como a indústria e a construção civil, hoje já não encontra trabalho no campo.
"O nosso pessoal que vinha de fora, por exemplo, não tinha condição nem de fazer um curso. Infelizmente muitos poucos foram. A mecanização não iria suprir a mão de obra", afirma o presidente do sindicato em Guariba.

Em contrapartida, quem conseguiu se preparar e estudar hoje confirma uma melhora de ganho salarial e das condições de trabalho. Hoje operador de máquina em uma usina da região de Ribeirão Preto, Cléber Gustavo Pavão não sente saudade do tempo em que fazia a colheita manual. "Não é bom não, bom é evoluir, pra frente, melhorar as coisas", afirma.

Tribuna10

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ALEX GONÇALVES

Alex Gonçalves é radialista DRT4220-PB.Natural de São José de Piranhas, fomado em Letras pela UFCG. Atua no ramo de jornalismo há 15 anos, foi editor repórter do portal Radar Sertanejo durante nove anos.É funcionário público estadual desde 2010 e atualmente apresenta o programa Radar em Alerta na Terra Nova FM.

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